domingo, 4 de março de 2018

Entrevista: Frances McDormand fala de Três Anúncios Para Um Crime


Foto: divulgação/Divulgação

Publicado originalmente no site da revista Cosmopolitan, em 2 de março de 2018

Entrevista: Frances McDormand fala de Três Anúncios Para Um Crime

Desempenho no filme rendeu a ela uma indicação ao Oscar de melhor atriz

Por Redação

Em Três Anúncios Para Um Crime, Frances McDormand vive Mildred Hayes, uma mulher que teve a filha assassinada por um criminoso nunca encontrado pela polícia. Quando o caso é arquivado, ela aluga três outdoors em uma estrada abandonada para exigir justiça. E esse é apenas o começo de uma longa jornada para a protagonista.

O longa concorre em sete categorias do Oscar deste ano, entre elas a de Melhor Atriz pela brilhante atuação de Frances. Em um hotel localizado em Veneza, ela contou várias curiosidades sobre a produção (entre outras coisas) para a crítica de cinema Margaret Pomeranz. O resultado desse bate-papo você confere a seguir:

Como surgiu a oportunidade de trabalhar com Martin McDonagh (diretor de Três Anúncios Para Um Crime)?

Ele diz que já pensava em mim para interpretar Mildred, mas prefiro acreditar que fui eu que pedi a ele quando nos encontramos em Nova York durante a festa de estreia de The Pillowman na Broadway. Eu me apresentei e ele disse que adorava o meu trabalho, que eu deveria participar de uma das peças dele porque há sempre grandes papéis femininos. Respondi que era uma ótima ideia, mas que sabia que ele estava pensando em fazer um filme e talvez ele pudesse escrever um papel para mim. Assim que acabei de falar, pensei: “Céus, não acredito que disse isso”, porque já vi vários atores fazendo isso com outros cineastas, tentando não falar quase falando ou engolindo a frase e ficando sem graça… mas foi o que fiz, e felizmente eu falei, porque ele respondeu que era uma boa ideia. Acho que ele já estava pensando em mim para o papel e essa conversa confirmou que eu estava pronta.

O que faria se tivesse lido o roteiro e não tivesse gostado?

Bem, não há possibilidade de eu não gostar. Onde existem papéis como esse para atrizes? Simplesmente não há.

Parece que você não quis ensaiar quando o resto do elenco ensaiou. Qual o motivo de sua escolha?

Nunca gostei de ensaiar porque acho que o filme tem uma imediatez que os ensaios tendem a destruir. Mas se for ensaio com a produção, com o diretor de fotografia e um diretor no dia da filmagem… ou se for necessária preparação no dia anterior porque é uma tomada elaborada, algo numa externa, com dificuldades técnicas múltiplas, estou completamente disponível. Na verdade, sou minha própria ‘stand in’ (substituto de atores). Não gosto de ter substitutas no set.

Você fica feliz com o reconhecimento nas ruas?

Tive que aprender lidar com isso do meu jeito. Começou a ficar desconfortável quando meu filho era muito pequeno e eu era perseguida, e eu não gostava de como ele me via naquelas situações porque nem sempre eu era simpática. E ele perguntava: “Mamãe, por que você não foi simpática com aquelas pessoas?” Porque muitas vezes era: “Pare. Não entre, eu estou aqui, você não pode chegar perto.” Assim, eu não fiz publicidade por dez anos, para poder assumir o controle da situação e ter a opção de dizer não para as pessoas. E agora, no mundo dos celulares, sempre temos: “Posso tirar uma foto com você?” E respondo: “Não, obrigada. Qual é seu nome? Eu sou a Fran.” E elas me dizem: “Meu namorado não vai acreditar que conheci você.” Retruco: “Você está com o cara errado”.

Texto e imagem reproduzidos do site: cosmopolitan.abril.com.br

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