Publicado originalmente no site Brasil El País, em 05 de setembro de 2019
Seis tipos de pessoas que é bom ter por perto (e outros seis
que é melhor manter longe)
Buscar um grupo de referência adequado não só nos faz mais
feliz, mas também nos ajuda a alcançar o sucesso
Por Mariló García
Imagine por um momento que você é J. R. R. Tolkien e acabou
de esboçar O Senhor dos Anéis -- que se tornou uma obra épica. Se tivesse a
oportunidade de mostrar seu rascunho a alguém, a quem o mostraria? O escritor
britânico não teve dúvidas e compartilhou seus hobbies, elfos e anões da Terra
Média com os colegas de um pequeno grupo literário que havia criado com C. S.
Lewis, o autor do não menos fantasioso as Crônicas de Nárnia. Para Tolkien,
"os inklings", o nome dado a essa associação, viriam a ser o que anos
depois David McClelland chamaria de "grupo de referência".
Segundo o estudo desse psicólogo social da Universidade
Harvard, as pessoas com quem nos envolvemos regularmente "determinam 95%
de nosso sucesso ou fracasso na vida". É claro que, além de seu talento
indiscutível, os comentários e críticas dos "inklings", seu grupo de
referência, encorajariam o perfeccionista Tolkien a finalizar sua obra magna.
Pode-se dizer que parte do mérito do livro mítico foi de seus colegas.
Agora, pare para pensar no seu "grupo de
referência", aquele que faz parte de seu entorno, a família, o trabalho,
os amigos ... Essas pessoas a quem você está habitualmente exposto moldam quem
você é. Como diz o empresário Ricardo Llamas Martínez, autor do livro Elígete a
Ti Mismo y Haz que Funcione, de 2015 (escolha a si mesmo e faça com que dê
certo), “as pessoas com quem passamos mais tempo determinam as conversas que
atraem nossa atenção [...] Com o tempo, começamos a comer o que comem, falar
como falam, ler o que leem, pensar o que pensam, ver o que veem, tratar os
outros da mesma maneira e até a nos vestirmos como elas. O engraçado é que
normalmente ignoramos que nos parecemos tanto”.
Com quem você passa mais tempo? Quem são as pessoas que mais
admira? McClelland descobriu que os mesmos indivíduos, com o mesmo histórico,
oportunidades e habilidades, fazendo as coisas da maneira correta,
definitivamente dependiam de seu "grupo de referência". Ou, o que dá
na mesma, se você não escolher as pessoas que te encorajem e estimulem, que
sejam um incentivo na sua vida, o mais provável é que você fracasse. E o que
fazer então? Segundo o médico, empreendedor e palestrante Sam Hazledine,
"você precisa escolher conscientemente seu próprio grupo de referência e
não só por proximidade. Não é algo comum, mas também não é complicado".
Para isso, explicamos como distinguir as "pessoas tóxicas", as que
devem ser mantidas o mais longe possível, e como investir naquelas que
acrescentam valor à sua vida.
Vale a pena se esforçar para encontrar estas seis pessoas
Que não compliquem a sua vida, que sejam positivas, que
tenham iniciativa, assumam seus erros ... São qualidades que, nos outros, podem
multiplicar o bom de nós mesmos. "É preciso saber se cercar de pessoas
motivadas e inspiradoras, isso aumentará nosso bem-estar emocional e nossa
capacidade de aprendizado, e viveremos um maior crescimento pessoal",
garante Elena Cedillo, psicóloga clínica e cocriadora de People are Not
Resources (pessoas não são recursos). Para Cedillo, estes são os seis tipos de
pessoas que podem nos beneficiar mais.
Pessoas motivadas
São comprometidas e ativas. Estabelecem metas, perseveram,
são entusiasmadas e geralmente não se deixam paralisar pelo medo. São o espelho
no qual deveriam refletir-se os que se fustigam com cada erro que cometem, pois
as pessoas motivadas lembram que um erro é uma experiência de crescimento e
aprendizagem.
Pessoas inspiradoras
Assumiram as rédeas de suas vidas, mudaram o que não queriam
ou mostraram uma grande capacidade de superação em circunstâncias específicas.
Têm uma atitude constante de perseverança e acreditam em si mesmas e em suas
possibilidades. As pessoas inspiradoras nos mostram que não devemos parar de
lutar, que nunca é tarde para criar propósitos e perseguir objetivos.
Pessoas positivas
Elas nos ajudam a perceber o lado bom das coisas, a correr
riscos, a alcançar uma solução satisfatória dos problemas. Pessoas positivas
nos fazem acreditar em nossas possibilidades, assumir a responsabilidade por
nossas vidas e sorrir mais. E o sorriso tem um poder inegável.
Pessoas abertas
Estão razoavelmente livres de preconceitos e sempre
dispostas a ouvir diferentes critérios e opiniões, mesmo que não correspondam a
seus pontos de vista. Empatizam mais com os outros e não têm tanto medo de
mudar. Aceitam melhor as críticas (e isso é muito importante porque seu efeito
é muito mais potente do que a adulação) e vivem de maneira mais despreocupada
com o que os outros pensam delas. Pessoas abertas nos darão mais flexibilidade,
nos ensinarão a ter mais diálogo, a aceitar melhor as críticas e a manter maior
equilíbrio emocional.
Pessoas apaixonadas
Vivem com entusiasmo, aproveitam cada momento e investem
tempo naquilo que realmente as apaixona. Sua alta motivação é um mecanismo
poderoso. Pessoas apaixonadas nos ensinam uma grande lição: "Se você
encontrar a sua verdadeira paixão, nunca haverá falta de motivação".
Pessoas agradecidas
Nós tendemos a nos concentrar mais naquilo em que não
estamos satisfeitos, em vez de focar nas coisas boas que constantemente
acontecem conosco. Aumentar a gratidão ou estar com pessoas agradecidas
aumentará nosso bem-estar emocional, nos situará em nosso presente e nos
manterá afastados da queixa inútil.
Cuidado com este tipo de pessoa, não traz nada de bom
Já dizia Bernardo Stamateas em seu best-seller Gente Tóxica:
é preciso evitar as pessoas que complicam a sua vida, que abusam se você não
puser limites, "vampiros emocionais" que se sentem bem destruindo, em
vez de contribuindo. "Em toda organização existe uma 'maçã podre' que
poderá, em algum momento, afetar o comportamento dos bons trabalhadores e,
consequentemente, de toda a empresa", diz Valeria Sabater, psicóloga
social e especialista em neurocriatividade. Para ela, estes são os seis tipos
de pessoas que devemos tentar evitar.
Pessoas que se queixam
Quem vive em uma espiral de reclamações constantes tem um
problema para cada solução, e fazer da reclamação seu modo de vida geralmente
envolve a criação de cativos: eles nos procuram para desabafar ou nos tornar o
motivo de suas reclamações. É melhor fazê-los ver que, com seu comportamento
derrotista, não resolvem nem ganham nada. Se não mudarem, não devemos nos
deixar contagiar por sua atitude nem dar valor a seus comentários negativos.
Pessoas invejosas
No momento em que alguém experimenta a inveja se percebe
como inferior ou como perdedor, e isso não apenas gera frustração, mas também
produz algo muito perigoso, a raiva. De fato, até mesmo isso que chamamos de
"inveja saudável" esconde o desejo por algo que não se possui e isso
pode moldar situações incômodas, nas quais se perde a confiança em nossos
relacionamentos. A admiração sempre será melhor que a inveja. Quem te inveja,
não te ama nem te respeita.
Pessoas que fazem fofoca
Estão sempre mais preocupados com o que os outros fazem do
que com a responsabilidade por si mesmas. Têm um tipo de personalidade que é
muito daninha no local de trabalho porque intoxica o ambiente, cria problemas
onde não há e dificulta a produtividade. Não caia nesse jogo. A fofoca morre
quando atinge o ouvido inteligente que decide parar esse boato ou mexerico.
Esse tipo de pessoa gosta de entrar nesses jogos porque adquire poder.
Portanto, é melhor não dar valor às fofocas e menos ainda ao fofoqueiro.
Pessoas que se sentem culpadas
Usam a vitimização como uma estratégia manipuladora, um
detalhe que deve ser levado em consideração porque pode ser uma faca de dois
gumes. Por se mostrarem deprimidas (há as que estão e não se nota) e arrastando
o peso da culpa em suas costas, estão na realidade usando uma afiada
manipulação emocional. São pessoas que estão sempre pedindo perdão e costumam
ser submissas para obter benefícios.
Pessoas agressivas
Carecem de empatia, são autoritárias, usam a comunicação
violenta e priorizam de modo exclusivo suas necessidades e direitos. Viver com
esse tipo de personalidade pode erodir gravemente nossa autoestima, e não
podemos ignorar que estamos enfrentando um tipo de abuso. A melhor coisa nesses
casos é manter distância. Viver com alguém agressivo, seja na família ou no
trabalho, deixa sérias sequelas em todos os níveis.
Pessoas psicopatas
Há um dado interessante: as pessoas com comportamento
psicopata têm maior probabilidade de se candidatar a cargos de gerência ou
poder. A explicação é que sua personalidade agressiva, sua falta de empatia ou
a capacidade de manipular usando seu charme para obter objetivos são
características exigidas em certas categorias de trabalho. Esse tipo de perfil
tende a contornar a legalidade ou o permitido para obter benefícios. Diante do
psicopata, é melhor estabelecer limites, deixar claras as consequências de suas
ações e, acima de tudo, nunca ceder.
Texto e imagem reproduzidos do site: brasil.elpais.com

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