O estiloso, histórico e referencial chapéu de couro de Luiz
Gonzaga.
Foto Orlando Brito
Publicado originalmente no site OS DIVERGENTES, em 29 de março de 2019
Relembrando o grande Luiz Gonzaga
Por Orlando Brito
Luiz Gonzaga, um dos maiores músicos da história do Brasil,
dizia que só reclamava da vida nas canções que cantava e nas letras que
compunha. Tinha suas razões. Um fato desagradável em sua juventude mudou
radicalmente seu destino. Quando era rapazote no Sertão de Pernambuco,
encantou-se por uma moreninha chamada Nazarena, filha de um certo coronel
Deolino, tido como homem brabo da região. Levou uma carreira do pai da moça.
Inconformado, jurou de morte aquele que queria para sogro. Para evitar o
desatino do filho, seu Januário e dona Santana, pais de Luiz, deram-lhe uma
surra.
Envergonhado, o jovem Luiz abandonou Exu, a cidadezinha em
que nasceu. Foi para o Crato, terra do Padre Cícero, no Ceará. Alistou-se no
Exército. Como soldado, teve a chance de viajar por vários estados do Brasil.
Reparou que nem tudo em sua vida estava perdido. Havia coisas maiores que a
perda da saudosa moreninha Nazarena.
De passagem por Minas Gerais, conheceu Domingos Ambrósio,
acordeonista clássico. Com ele melhorou seu domínio da sanfona, agregando o
estilo do velho Januário, seu avô, exímio tocador de quatro baixos em Exu. Luiz
saiu do Exército e entrou na vida artística. Sorte da Música brasileira.
Luiz Gonzaga começou a tocar na zona boêmia do Rio e não
tardou a transformar-se em um dos maiores cantores e compositores da histórica
do Brasil. Arrasou no programa de Ary Barroso, enchia o auditório da Rádio
Nacional, dos cassinos do Rio e São Paulo, virou sucesso internacional, com
reportagens nos jornais, programa na tevê. Repertório de fazer inveja a
qualquer artista.
Com parceiros — por exemplo, Humberto Teixeira e Zé Dantas —
de primeira qualidade, produziu músicas de rara poesia, dentro da
característica regional. “Asa Branca”, “Assum Preto”, “Cintura Fina”,
“Boiadeiro”, “Ovo de Codorna”, “Xanduzinha”… Mil. Lançou e relançou ritmos.
Tocou de tudo. Valsa, baião, choro, samba, fox, bolero, mazurca, xaxado, xote,
embolada, vira-e-mexe. Virou o “Rei do Baião”. Celebridade.
Só era importante a pessoa que tivesse foto ao lado de
Gonzaga. Aliás, Luiz adorava tirar retrato. Estava no seu álbum com os
presidentes Getúlio, Dutra, Café Filho, Juscelino, Jango. Todos.
Com Gonzagão, o forró ganhou espaço definitivo na cultura
brasileira. Porém, a carreira que levou do pai da donzela Nazarena, a moreninha
que seria seu primeiro amor, nunca lhe saiu da lembrança. Ao invés de reclamar
daquela perda, teve muitos paixões. De um deles, nasceu Luiz Gonzaga Nascimento
Júnior, o “Gonzaguinha”, falecido em 1991.
Depois, casou-se com a conterrânea Helena, com quem viveu
até seus últimos dias, em 1989, aos 77 anos. Morreu orgulhoso de abrir as
fronteiras da música do Nordeste para o mundo. E que isto só foi possível por
conta de um acontecimento que, a princípio, era motivo para reclamar da vida.
Grannnnde Luiz Gonzaga, nascido em 1912 e falecido em 1989.
Texto e imagem reproduzidos do site: osdivergentes.com.br

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