Publicado originalmente no site da revista PLANETA, em 29/03/2019
Ouvir música pode ser bom remédio contra dor e inflamações
Com base nas descobertas, espera-se que surjam novas linhas
de tratamento da dor e que seja possível reduzir o uso de medicamentos
A maioria dos camundongos não ouve música clássica, mas
aqueles que escutam tendem a sofrer significativamente menos de dor e
inflamação do que aqueles que não escutam, de acordo com um novo estudo
publicado na revista Frontiers in Neurology. Com base nas descobertas,
espera-se que surjam novas linhas de tratamento da dor e seja possível reduzir
o uso de medicamentos.
Durante 21 dias, pesquisadores da Universidade de Utah (EUA)
tocaram três composições de Mozart por 3 horas para ratos com patas feridas –
seja como resultado de um corte ou inflamação. Os roedores que escutaram o
austríaco aguentaram o calor e a pressão de suas patas por 77% mais tempo do
que aqueles que não ouviram a música.
A equipe também descobriu que a música aumentou
significativamente a eficácia de uma série de medicamentos. Por exemplo, o
tratamento com ibuprofeno foi potencializado por Mozart, reduzindo 93% mais o
inchaço do que o ibuprofeno sozinho. Já o canabidiol foi 21% mais eficaz quando
combinado com a música.
O autor do estudo, Grzegorz Bulaj, explicou que, usando a
música para melhorar a eficácia dos analgésicos, pode ser possível tratar as
dores usando menores doses e reduzindo assim a toxicidade e os efeitos adversos
gerados por esses medicamentos. Nem toda música é adequada para esse propósito.
Mozart foi escolhido porque a repetição rítmica de suas composições já havia evidenciado
um efeito calmante sobre o sistema nervoso.
Os pesquisadores ainda não conseguem definir exatamente como
a música ajuda a tratar a dor, mas pesquisas anteriores mostraram que sons
melodiosos diminuem hormônios do estresse, como o cortisol, que estão ligados à
inflamação. Também já tinha sido mostrado que a música melhora a regulação de
proteínas pró-inflamatórias, chamadas citocinas, e que auxilia o
desenvolvimento de novos neurônios no cérebro.
Texto e imagem reproduzidos do site: revistaplaneta.com.br

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