Capa do Livro: “Segredo de Estado: a biografia de Rubens
Paiva” (Objetiva)
A história de Rubens Paiva
Deputado foi preso, interrogado e morto pelos agentes de
repressão durante a Ditadura Militar.
Por Bruno Tavares
Rubens Beyrodt Paiva, nasceu em Santos (SP) no dia 26 de
dezembro de 1929. Quando jovem, cursou a faculdade de engenharia civil na
capital paulista e sempre integrou o movimento estudantil. Em 1962 foi eleito
deputado federal pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Quando o Golpe
Militar foi posto em prática em 31 de Março de 1964, Rubens Paiva, em apoio ao
presidente deposto João Goulart, convocou os estudantes a resistirem.
Devido ao Ato Institucional Número Um, o político teve seu
mandato cassado em 10 de abril de 1964. Como solução, recorreu ao exílio e
viveu alguns anos no exterior. Em 1969 retornou ao Brasil, mas manteve contato
com outros exilados, entre eles Helena Bocayuva Cunha, filha de seu amigo.
Em 20 de Janeiro de 1971, morando então no Rio de Janeiro
com a família, Rubens Paiva foi preso por seis militares da Aeronáutica e
levado para a III Zona Aérea. As forças repressoras afirmavam que ele estava
sendo investigado por sua relação com os Bocayuva, então suspeitos de
envolvimento com o sequestro do embaixador Charles Burke Elbrick. Sua esposa,
Eunice, e sua filha mais velha, Eliana, também foram levadas para interrogatório,
mas liberadas.
No dia seguinte à sua chegada, Rubens foi transferido para o
Departamento de Operações Internas (DOI). Ali foi interrogado, torturado e
morto. Contudo, sua família não teve notícias dele por anos a fio. A versão
oferecida pelos militares era a de que Rubens havia sido sequestrado enquanto o
transferiam de um lugar para outro.
Em 2014, a verdade veio à tona. Segundo o depoimento do
Coronel Armando Avólio, concedido à Comissão Nacional da Verdade (CNV) em 2014,
Rubens foi torturado pelo militar Antônio Hughes de Carvalho com uma violência
desproporcional. Avólio afirma ter visto Hughes “utilizando-se de empurrões,
gritos e ameaças contra um homem (Paiva) que aparentava já ter uma certa idade.
Sua fisionomia tinha um ar de profundo esgotamento físico.”. Posteriormente,
Avólio afirma que o torturador jogou Rubens no chão e pulou em cima de sua barriga.
*
Também em depoimento à CNV, o médico Almícar Lobo contou
que, chegando ao DOI de madrugada, examinou um homem (Paiva) em condição de
“abdômen de tábua”. “O que em linguagem médica pode caracterizar uma hemorragia
abdominal, sendo que naquela situação parecia ter havido uma ruptura
hepática.”, detalhou. *
A tortura extrema levou Rubens Paiva à morte. Seu corpo foi
enterrado e desenterrado algumas vezes, até que os restos mortais foram
finalmente jogados no mar em 1973, segundo relatam os agentes de repressão.
Rubens Paiva saiu dirigindo seu carro em 1971 e nunca mais voltou. Seus familiares permaneceram décadas sem saber o que havia
acontecido a ele. Rubens era casado com Eunice Paiva e tinha cinco filhos:
Maria Eliana, Maria Beatriz, Vera Sílvia, Ana Lúcia e Marcelo Rubens Paiva.
Foto: Site A verdade
*Trechos retirados do livro: Ainda Estou Aqui de Marcelo
Rubens Paiva
Texto e imagens reproduzidos do site: medium.com/revista-subjetiva


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