Manifestantes em um protesto às vésperas do Dia Internacional
da Mulher,
em Andalucía, na Espanha. ( Foto: Europa Press/Jesus Prieto)
Publicado originalmente no site El País Brasil, em 7 de
março de 2019
Dia da Mulher: por que a data é celebrada em 8 de março em
todo o mundo?
Jornada de reivindicação é celebrada em vários países, mas
já aconteceu em outras datas
Por María R. Sahuquillo
A tradição de reservar uma data para reivindicar a igualdade
de direitos da mulher é centenária. Nesta sexta-feira, 8 de março, celebra-se o
Dia Internacional da Mulher na maioria dos países do mundo. Entretanto, um
longo caminho foi percorrido até que essa data surgisse. Nesse caminho, a
efeméride – que surgiu com espírito e iniciativa sindicalista – evoluiu, mudou
de dia e perdeu a palavra trabalhadora do seu título. No dia 8 de março – data
oficializada pela ONU em 1975 – pleiteia-se a igualdade completa de direitos. .
A ideia de um dia internacional da mulher surgiu no final do
século XIX, mas foram diferentes fatos no século XX que derivaram para a
celebração que conhecemos hoje. Um deles, talvez o mais simbólico, mas não o
único, ocorreu em 25 de março de 1911, quando 149 pessoas, a maioria mulheres,
morreram no incêndio da fábrica Triangle Shirtwaist, em Nova York. O incidente
revelou as penosas condições nas quais trabalhavam as mulheres, muitas delas
imigrantes e muito pobres. Não foi um fato isolado – três anos antes, houve
outro incêndio em circunstâncias similares, mas foi a tragédia de 1911 que
suscitou grandes mobilizações e marcou no calendário uma data que já havia
começado a ser celebrada dois anos antes, também em Nova York, onde as Mulheres
Socialistas, seguindo uma orientação partidária, havia comemorado pela primeira
vez o Dia Nacional da Mulher. Foi em 28 de fevereiro de 1909, e mais de 15.000
mulheres saíram às ruas para reivindicar melhores salários, redução da jornada
de trabalho e direito ao voto.
Em 1910, a Internacional Socialista proclamou o Dia
Internacional da Mulher para reivindicar o sufrágio feminino, a não
discriminação trabalhista, o acesso à educação e outros direitos fundamentais.
A conferência não decidiu um dia concreto, mas foi decisiva: a data começou a
ser comemorada no ano seguinte. Alemanha, Áustria, Dinamarca e Suíça o
celebraram em 19 de março, com comícios dos quais participaram mais de um
milhão de pessoas, a imensa maioria mulheres.
Dos Estados Unidos e Europa Central, essa data combativa
começou a se espalhar para outras regiões. Em fevereiro de 1913, as mulheres
russas celebraram o Dia Internacional da Mulher, que em outros países começava
a ser fixado em 8 de março. Quatro anos depois, em 1917, como reação à morte de
mais de dois milhões de soldados na guerra, as russas convocaram uma greve para
o último domingo de fevereiro. Os protestos e manifestações que tiveram início
naquele 23 de fevereiro – 8 de março no calendário gregoriano usado em outros
países – conduziram a uma mobilização geral que provocou a abdicação do czar e
a nomeação de um Governo provisório que lhes concedeu o direito ao voto. A data
também é lembrada pelas mulheres no Brasil.
Com o passar dos anos, foram se incorporando outros países –
a China, em 1922, por exemplo – e mulheres de todo tipo de realidade, até que o
8 de março se tornou um momento de confluência para reivindicar a igualdade de
direitos para todas e recordar que ela ainda não foi alcançada.
Texto e imagem reproduzidos do site: brasil.elpais.com

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