Publicado originalmente no site da revista STATUS 41 - CAPA, em: 30/11/2014
Mulheres de
Status - Ildi Silva
Foi preciso da ajuda de um geneticista para desvendar de
onde vem a beleza singular da atriz. E, mesmo assim, ela continua intrigando os
homens com esses olhos felinos, a boca carnuda e o corpo escultural
Foto André Nicolau Edição Ariani Carneiro Styling Fabrício
Miranda (capa mgt) Beleza Duda Molinos (Caíco de Queiroz)
Dia desses, ela caminhava pelas ruas de Manhattan quando um
gringo, bem do esperto, chegou de mansinho. “Nossa, mas que olho lindo!”.
Passou o tempo e voltou a acontecer. Mais um passeio e mais um americano,
encantado com a deusa de ébano que se materializava diante de seus olhos,
disparou sem rodeios: “Como você é bonita!”. Uma beleza que deixa intrigado
quem a vê na televisão, nas revistas e nas ruas. “Que mistura é essa!”,
exclamou o nova-iorquino que se deparou com ela em uma calçada do Soho. Para a
atriz baiana Ildi Silva, 32 anos, escutar esse tipo de galanteio é como acordar
todos os dias. Acontece com tanta frequência – e há tanto tempo – que é
natural. O que não é normal, definitivamente, é a sua beleza. Foge de todos os
padrões, muda todos os conceitos e, acredite, gera conflitos. Nos tempos de
escola, quando era chamada pelos colegas de “a menina dos olhos de gato”, ela
teve de se virar para não apanhar de outras garotas que não iam com a sua cara.
Sim, não iam com a sua cara irritantemente linda. “Queriam bater em mim porque
eu era bonita”, relembra Ildi. Mas a beleza, claro, abriu portas.
Ela foi descoberta por um fotógrafo em Salvador, que a
clicou para o concurso da Elite Models. Ildi não ganhou, media apenas 1,70 m de
altura, muito baixinha para os padrões das passarelas, mas conquistou seu
espaço. Desembarcou em São Paulo e começou a fazer comerciais e editoriais
fotográficos. Em 2003, quando acompanhava o maquiador Duda Molinos no programa
de Ana Maria Braga para que ele mostrasse ao vivo como maquiar e fazer um
babyliss, Ildi brilhou aos olhos de um diretor de elenco da Globo. “Descubram
quem é essa menina!”, ordenou o executivo. De coadjuvante em um programa
matinal, Ildi virou protagonista. Fez o teste na TV Globo, passou e, de cara,
veio a novela Agora é que são elas. Não parou mais e transitou entre o SBT, a
Record e a própria Globo. Agora, Ildi dá os primeiros passos rumo à carreira
internacional com muito mais desenvoltura do que qualquer modelo de passarela.
Recentemente, ela gravou para a terceira temporada da série
Lilyhammer, sucesso no Netflix. “Faço o papel de uma atriz brasileira”, diz
Ildi. O trabalho impulsionou o desejo de ganhar o mundo. “Sou uma baiana
arretada, quando boto uma coisa na cabeça, eu vou e faço”, diz ela. Por isso,
agora Ildi mora em Nova York sem data para voltar. Vem de vez em quando para o
Brasil para trabalhar, fazer ensaios como este especialmente para Status.
Depois, vai embora deixando saudade e chega a Manhattan intrigando quem a vê na
rua, como o rapaz que não acreditou na sua mistura. A ele, podemos dizer que
realmente não é uma mescla comum. Tanto que a britânica BBC chamou-a para um
estudo sobre suas origens e, com a ajuda de um geneticista, descobriu que Ildi
carrega 71,3% de gene europeu, 19,5% de ancestralidade africana e 9,2% de
ameríndio. Só temos a agradecer à miscigenação dos povos. Ildi Silva está aí
para provar que ela faz bem ao mundo.
Status Por que decidiu passar essa temporada no exterior?
– Ildi Silva Estavam acontecendo várias coisas, pintando
vários testes no exterior e acabei de participar da série americana Lilyhammer.
Já havia morado seis meses em Los Angeles quando fui aprender inglês e estudar
interpretação, mas a participação na série acabou impulsionando a minha vontade
de morar fora. Aluguei um apartamento no Soho em junho e não tenho data para
voltar.
Mas o que você faz lá?
– Eu estudo inglês com professor particular para aumentar o
meu vocabulário e também estou fazendo curso de interpretação.
Como foi encarar o desafio de ir sozinha para outro país?
– Eu sou uma baiana arretada. Quando boto alguma coisa na
cabeça, eu vou e faço. Não tem essa de “você vai sozinha, não conhece ninguém”.
Você já está pensando em Hollywood?
– Estou tendo algumas reuniões com agentes para trabalhar
aqui. Não sei se em Hollywood porque tem muita coisa aqui em Nova York também.
Mas vou deixar as coisas acontecerem naturalmente.
Você tem namorado?
– Não, estou solteira. É um momento que eu escolhi para mim,
não tem nada para me prender.
E os gringos, não ficam em cima de você?
– É engraçado (risos). Tem assédio, sim, principalmente na
rua. Eles vêm falar, puxar papo. Acho legal essa forma deles de explicitar o
que estão sentindo sem ser agressivos. É um approach diferente.
E funcionou com você?
– Por enquanto não (risos). Estou focada nos estudos.
Mas o que um homem precisa fazer para te conquistar?
– Tem que ser simpático, leve e engraçado. Acho que a vida
já está difícil demais para ter alguém enfezado do seu lado. Inteligência e
senso de humor são a química perfeita para me conquistar.
E a história da BBC para descobrir o seu biotipo, como foi?
– Eles estavam pesquisando alguns artistas no Brasil para
descobrir a miscigenação das pessoas e me convidaram. Isso me esclareceu muita
coisa. Eu não tinha ideia dessa mistura. Meu avô paterno era branco e tinha
olho verde. Tem ruivo na família, é uma mescla que eu não conseguia explicar.
Mas deu certo…
– Graças a Deus (risos).
O que você faz para manter o corpo?
– Malho todo dia, corro, gosto de dançar. Faço bem pouco de
musculação. Corro bastante no Central Park e no rio Hudson.
E os seus ídolos, quem são?
– Angelina Jolie e a Marion Cotillard. A Angelina faz um
trabalho humanitário que vai além da carreira de atriz e é admirável. No caso
da Marion, acho que as escolhas dela como atriz são muito boas. Como francesa,
ganhou um Oscar e acaba quebrando paradigmas. Ela é de fora e mostra que tudo é
possível. É só correr atrás e batalhar. Eu sou uma pessoa muito positiva, que
acredita.
Mudando de assunto, um dos problemas no Brasil é o racismo.
Inclusive a nova série da Rede Globo, chamada Sexo e as negas, está sendo
acusada de ser racista. Como você enxerga isso?
– Eu não estou por dentro dessa polêmica, mas o Miguel
Falabella (autor) é um cara brilhante. Nunca faria nada racista.
Você já sentiu na pele o preconceito por ser negra?
– Olha, no meu caso não. Já vi isso acontecer com amigos.
Mas acho abominável, não tem por que ter isso. Todo mundo é igual.
Carlos Sambrana
Texto e imagens reproduzidos do site: revistastatus.com.br







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