quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Nanda Costa




Publicado originalmente no site da revista Status, em 23/06/2015

Nanda Costa 

Bem reservada quando se trata de sua vida pessoal e sem pudores quando se joga de cabeça em um trabalho, a atriz não se deixa prender ao rótulo de símbolo sexual, mesmo com todas as curvas que exibe na telinha, na telona e aqui em nossas páginas.

Fotos André Nicolau - Texto Piti Vieira - Edição Ariani Carneiro.

Uma inquietação domina a alma de Nanda Costa, 28 anos, e faz com que ela se sinta livre para experimentar. Sua arte, a interpretação, a leva a investir onde ela deseja: cinema, TV, teatro, circo e até na música. Se Nanda diz que pode e coloca na cabeça que quer, vai até o fim sem medo de errar. E sempre foi assim. Quando criança, Fernanda Costa Campos Cotote, seu nome completo, não tinha medo de trocar seus amigos pelos irmãos menores deles, só porque estes eram os únicos que aceitavam brincar com ela em sua “escolinha” de teatro, no andar de cima do restaurante de sua mãe, em Paraty (RJ), onde ela nasceu. Anos depois, quando fazia um curso na Escola de Atores Wolf Maya, a morena de 1,64 metro impressionou tanto o diretor global com sua força dramática que ele a convidou para um teste da novela Cobras & lagartos. Aos 19 anos, ela adotava o nome artístico Nanda Costa e iniciava uma trajetória profissional que só pode ser classificada como meteórica. Hoje, seu currículo conta com outras quatro novelas (Viver a vida, Cordel encantado, Salve Jorge e Império), um especial (Por toda minha vida, em que fez uma elogiadíssima encarnação da cantora Dolores Duran), três seriados (Ó Paí, ó, Clandestinos, Amor em 4 atos) e atuações consagradoras nos filmes Sonhos roubados (prêmio de melhor atriz nos festivais do Rio e de Biarritz) e Febre do rato (melhor atriz em Paulínia).

Agora, depois de ter conquistado o País, Nanda investe em sua voz no coletivo Batida Nacional, que une diferentes vertentes da MPB a uma pegada eletrônica, e é liderado pelo DJ Fernando Deeplick, que já produziu medalhões da música como Shakira, Ricky Martin, Ben Harper, Roberto Carlos, Marisa Monte, Seu Jorge e Lulu Santos, e pela percussionista Lan Lan, que tocou ao lado de Cássia Eller. Mesmo sem experiência no ramo, Nanda convidou-se para fazer parte do projeto e está à vontade. “Não sei cantar nem tocar profissionalmente, mas vou brincando”, diz ela, que participou de um coral quando era pequena, gosta de dizer que preferia o violão ao videogame na infância e é dona de uma coleção com cerca de 500 vinis. “Eu faço quatro ou cinco personagens por apresentação: Dolores Duran, um mano do rap, uma funkeira – adoro funk –, leio alguns textos, sempre em cima da batida”. Presença de palco ela tem.

Eu ia perguntar se você estava de férias depois que acabaram as filmagens de Império, mas soube que está fazendo um filme.
– Sim, estou em É Carnaval, do Paulo Fontenelle, em que interpreto uma porta-bandeira. Durante o desfile da escola de samba, o pai dela, que é compositor dessa escola, passa mal e é internado. Ela começa a entrar em um conflito se vai desfilar ou não, e acaba conhecendo o amor da vida dela, que é o médico que está salvando a vida do pai.

Você foi nova para São Paulo. Por que a capital paulista e não o Rio? Você não pensava em ser atriz nessa época?
– Sim, eu fui para São Paulo para estudar para ser atriz e completar o ensino médio. Eu tinha 14 anos na época. Eu queria ir para o Rio, mas minha mãe achou que eu fosse ficar na praia o dia inteiro. Ela tinha essa preocupação, embora soubesse que eu era determinada e focada. Minha tia morava em São Paulo e fui para lá, para ela ficar de olho em mim. Só que seis meses depois que eu cheguei, ela morreu num acidente. Eu nunca fui muito da bagunça, era corretinha, tirava boas notas e não queria perder a chance que minha mãe tinha me dado de poder estudar fora. Então fui morar em um pensionato de freiras. Eu não podia vacilar, senão minha mãe me levava de volta para Paraty.

Como você trabalha a vaidade? É difícil controlar o ego?
É para todo mundo, acho. Mas é como se cobrasse mais das minhas personagens do que de mim. Por exemplo: se uma personagem precisa que eu seja vaidosa, vou fazer isso por ela. Agora, se a Nanda quer estar de um jeito, vai ter que esperar. A minha vaidade está totalmente na personagem, em fazer o trabalho bem feito, com dignidade, com verdade, com coerência.

Você teve que malhar para interpretar a Tuane, de Império. Continua no pique?
– Comecei a treinar pela Tuane e hoje em dia não abro mão. Me faz bem. Meu treinador, o Jun Igarashi, é incrível. Ele desenvolveu um método próprio, uma mistura de levantamento de peso, kettlebell (peso em forma de uma bola com alça) e correção de padrão de movimento. Tem uma galera da Globo treinando com ele.

O título de símbolo sexual é bom ou te incomoda?
– Nunca penso nisso. Na rua eu escuto: “nossa, como ela é pequenininha, achei que fosse um mulherão”. Então não fico presa a esse padrão, mesmo que achem e me coloquem nesse lugar. Vivo a vida do jeito mais simples possível. Gosto de ficar em casa, andar de bicicleta, de caminhar, ouvir música, encontrar os amigos, ir a um boteco – mas também vou a restaurantes legais.

Você é bem reservada em sua vida pessoal. Ser uma celebridade te incomoda?
– Eu preservo muito a minha vida íntima. Eu curto isso. Eu entendo o assédio quando se faz uma novela, como o que eu tive com a Morena, de Salve Jorge, e isso te mostra como as pessoas realmente confundem a personagem com o ator. Se ficar só nessa diferença, acho muito legal. Agora, quando é uma curiosidade absurda em cima da sua vida, quando isso fica maior ou mais interessante que o trabalho, da arte que você está fazendo, da história que se está contando, isso me deixa incomodada. Aí, sim, você se torna uma celebridade sem querer ser uma. Tento ser o mais discreta possível. Quero que as pessoas vejam mais os meus personagens. Nunca tive o desejo de ser famosa, mas de ter um trabalho reconhecido.

Mas você deixa de fazer algo por conta do assédio?
– Não. Vou a todos os lugares. Sou supertranquila, ando de chinelo na rua, não tem essa coisa de me arrumar porque pode ter paparazzi. Não estou nem aí. Vivo minha vida normalmente, como sempre vivi.

Você já fez cenas nua antes, como no filme Febre do Rato (2011). Qual a diferença entre tirar a roupa para um filme e para um ensaio sensual?
– Não tenho problema em tirar a roupa, desde que esteja em um personagem. Visto, ou melhor, tiro a camisa, se precisar. Então, em um ensaio, eu fantasio em cima, como uma fotonovela. Até atrapalho um pouco, porque fico inquieta.

Li que você gosta muito de música.
– Tenho um projeto musical chamado Batida Nacional, com o DJ Deep Lick e a percussionista Lan Lan. Não é uma banda, é uma festa show, um coletivo de artistas. A ideia é passar por todos os ritmos, fazer a batida do Brasil inteiro misturando a percussão orgânica com a música eletrônica e as vozes originais dos compositores para cantar junto.

Você sempre gostou de cantar?
– Sempre. Cantei no coral de Paraty quando tinha cerca de 8 anos. E ganhei um violão quando tinha 14 anos. Mas nunca tinha me apresentado profissionalmente.

Cinema, TV ou teatro?
– Eu gosto de trabalhar e de ter bons desafios, bons personagens. Dependendo do papel, não vejo problema algum em priorizar uma novela a um filme.

Tem algum diretor com quem você ainda não trabalhou e sonha em trabalhar?
– Almodóvar, eu ia curtir muito.

Qual o seu maior desejo?
– Que essa minha inquietação nunca acabe. Mas que a paz também nunca me deixe.

O que você procura em uma relação?
– Parceria.

O que uma pessoa precisa fazer para te conquistar?
– Em primeiro lugar, não pensar no que tem que fazer para conseguir alguma coisa. Simplesmente ser. Se tiver que acontecer, vai acontecer. Para mim é natural.

Você se acha sedutora?
– Sou também. A gente tem que saber onde estão todas as nossas ferramentas. Ainda mais para uma atriz.

Qual a sua parte do corpo irresistível?
– Meu sorriso. Não é a minha boca, hein?

Texto e imagens reproduzidos do site: revistastatus.com.br

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