Coluna de Cláudio Nunes, do blog Infonet, de 13 de fevereiro de 2026
Sobre a obrigação da felicidade, o “morrer bem” e o sentido da vida
A vida de cada um de nós é a sua obra de arte.
Para reflexão no Carnaval alguns parágrafos do livro “O Sentido da Vida”, de Contardo Calligaris.
“A experiência da vida é uma experiência criativa de uma obra de arte. A vida de cada um de nós é a sua obra de arte.”
O texto acima resume bem a reflexão passada pelo livro “O Sentido da Vida” entregue a editora pelo psicanalista, ensaísta e escritor Contardo Calligaris poucos dias antes de sua morte em março de 2021, na luta contra um câncer. Como bem escreveu um crítico literário, “o sentido da vida é um livro para aqueles que se atentam, se arriscam e se aventuram verdadeiramente pela vida. Entregue pelo autor poucos dias antes de sua morte, reúne três textos breves, e muito potentes, sobre a obrigação da felicidade, o “morrer bem” e o sentido da vida.
Algumas passagens do livro para reflexão:
“Uma morte bonita honra uma vida inteira”. Petrarca.
“…O que ficou para mim foi a mesma lição do verso de Petrarca da tia Rosalia: a vida não está acima de tudo, não é o valor absoluto. Tem uma série de coisas que estão acima da vida. Cuidado: isso não implica que a gente tenha que passar a vida se preparando para morrer “bem” ou para fazer “bonito” na hora da morte.”
“O caráter efêmero da vida é uma coisa que encaramos sozinhos”
“Então, quando o indivíduo se torna realmente um valor maior do que a comunidade, é claro que a morte passa a ser uma experiência solitária e, sem dúvida alguma, aterradora e desesperadora. Por isso o indivíduo moderno – e moderno vale para os últimos duzentos anos – tem uma relação conturbada e atormentada com a transcendência, porque o caráter efêmero da vida é uma coisa que encaramos sozinhos.”
“Boçal é o cara que quer que o outro goze do jeito que ele pensa que é certo.”
“… se tem uma coisa que todos os psicoterapeutas têm comum, é que a especialidade do psicoterapeuta é buscar entender como valorizar a vida concreta sem precisar de uma transcendência. Ou seja, sem recorrer a valores externos à vida concreta do paciente. Sem esse princípio, você não tem psicoterapia; você tem uma forma ou outra de boçalidade. Boçal é o cara que quer que o outro goze do jeito que ele pensa que é certo. Todas as psicoterapias só têm esta ambição: buscar entender como, na vida concreta do paciente, é possível descobrir alguma coisa que a valorize, não fora da vida concreta do paciente, mas nela mesma. É por isso que a terapia acaba sendo um trabalho quase estético, um trabalho de recriação narrativa de uma vida, que dá atenção a vida de tal forma que ela se valoriza…”
“A vida de cada um de nós é a sua obra de arte”
“…Então essa época em que tantos ocidentais se debruçam sobre qual é a experiência da arte e do belo é também o momento em qu surge a ideia que eu acabo de vender: a de que a vida é a obra de arte de cada um, a mais importante, a mais valiosa e talvez também a única. A experiência da vida é uma experiência criativa de uma obra de arte. A vida de cada um de nós é a sua obra de arte.”
Texto reproduzido do site: infonet com br/blogs/claudio-nunes

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