sábado, 11 de fevereiro de 2023

HUMOR > "Ignorância Artificial", por Agamenon Mendes Pedreira

Publicação compartilhada do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 10 de fevereiro de 2023

Ignorância artificial

Este bagulho vai fazer o maior sucesso em Brasília, onde o que mais falta é inteligência - artificial ou natural, tanto faz. O humor de Agamenon Mendes Pedreira na revista Crusoé:

Só se fala de outra coisa: ChatGPT. Fiquei apavorado ao me deparar com esse enigmático letreiro. Pensei que se tratava de uma variante da Covid. Depois, mais calmo, concluí que se trata apenas de mais uma nova DST. Se for mais uma doença venérea sexualmente transmissível a Isaura, a minha patroa, com certeza, vai pegar. Aliás, a minha cara-metade, foi a pioneira na introdução de várias moléstias genitais no Brasil: a blenorragia, o condiloma e o mal luético foram novidades introduzidas (com duplo sentido, por favor) pela Isaura, a minha patroa, que sempre foi novidadeira, fazendo questão de estar por dentro da última moda de Paris. Mas isso tudo foi muito antes do advento da peniscilina (com erro de revisão, fazendo o favor).

Mas qual! O ChatGPT é mais um lançamento digital, um aplicativo, me disseram. Não tenho a menor ideia do que seja um “aplicativo” mas, estudando o vocábulo em separado, concluo que um “aplicativo” deve ser alguma coisa para enfiar em algum lugar. Sei que o bagulho funciona com Inteligência Artificial. Se for assim mesmo vai fazer o maior sucesso em Brasília, onde o que mais falta é inteligência, artificial ou natural, tanto faz.

No Brasil basta o sujeito usar óculos pra ser considerado inteligente. Por isso, está todo mundo impressionado com essa tal de Inteligência Artificial, mais uma genial criação humana para colocar os seres humanos no desemprego. Eu já desconfiava que isso ia acontecer desde que assisti ao filme 2001, Uma Gonorréia no Espaço, de Stanley Miranda Kubrick. Na película, o computador Hal se recusava a cumprir as ordens do comandante espacial para usar camisinha quando fosse se conectar com um equipamento alienígena. Eu mesmo, Agamenon Mendes Pedreira, fui substituído por um “aplicativo”, um vibrador Hitachi de 4 cabeças, que a Isaura, a minha patroa, comprou no Paraguai e não se cansa de utilizar, é hardware!

Mas agora, com a criação do ChatGPT, a ciência foi longe demais. Graças a essa geringonça digital, ninguém mais precisa saber escrever, desenhar e nem mesmo pensar, porque o aplicativo faz tudo isso por você. E no estilo que você quiser! Por exemplo: ninguém mais vai precisar escrever um livro para conseguir entrar na Academia Brasileira de Letras! Pensando bem, isso já acontece há muito tempo…

Sempre na vanguarda, não precisei de nada disso para ser mandado para o olho da rua, no caso, a Rua da Amargura, onde fica estacionado o meu Dodge Dart 73, enferrujado. Esse infeliz logradouro, aliás, com o advento da Inteligência Artificial, vai ficar cada vez mais cheio de colegas meus que ainda conseguem sobreviver do jornalismo. Daqui a pouco vou cruzar na rua com a Miriam Leitão, o Elio Gaspari, a Vera Magalhães e o Reinaldo Azevedo, coitados, que vão disputar comigo as parcas esmolas que alguns bons samaritanos ainda nos dão.

Para vocês terem uma ideia, tudo isso que “escrevi” até agora não foi feito por mim. Eu apenas escolhi o tema e pedi para o ChatoGPT fazer um texto genial sobre o assunto. Para minha surpresa, o aplicativo conseguiu reproduzir com exatidão as minha palavras, meu estilo inconfundível e a admirável síntese crítica que caracterizam a minha monumental obra literária.

Só me resta uma saída: entrar para a política, onde a evolução tecnológica, ou qualquer outro tipo de avanço, nunca chega. O único avanço que tem na política brasileira é o avanço nas verbas públicas. Vejam o caso do Lula, que não tem nem celular mas é capaz de falar as maiores bobagens todo o dia sem ter que recorrer à Inteligência Artificial, contando apenas com a sua Ignorância Natural.

Agamenon Mendes Pedreira não é aplicativo mas está à venda na AppStore

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

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