Miranda Priestly ou Professor: adivinhe quem inspira a geração Z.
MONTAGEM/20TH CENTURY FOX/NETFLIX
O líder do futuro? Está em 'La Casa de Papel'
Geração Z vislumbra times mais diversos, com espaços para
expor vulnerabilidades e emoções.
Por Cintia Gonçalves Sócia e CSO da AlmapBBDO
No final de 2018, tive o privilégio de colocar em prática um
projeto muito especial sobre a liderança do mercado publicitário no futuro. Uma
ideia que estava na gaveta ganhou as ruas, com ajuda de alguns parceiros, e
depois se transformou em conteúdo jornalístico.
Chamado “Líderes do Futuro”, o projeto foi um estudo
investigativo de como os jovens, estudantes de publicidade e ingressantes no
ambiente de trabalho das agências se imaginam liderando nosso mercado em 2040.
O que deixam para trás? O que trarão de novo? O que incomoda? O que fascina? O
que temos a aprender com os valores e sonhos desta geração?
Essas eram algumas das inquietações que me vinham à mente ao
idealizar o estudo e, confesso, este foi um daqueles projetos que terminei,
como profissional e como pessoa, diferente de como comecei.
As entrevistas foram feitas com jovens nascidos entre 1995 e
2010, a chamada geração Z. De tudo o que aprendi, entendo que três aspectos
fundamentais moldam suas características:
Nasceram em um ambiente altamente tecnológico. São
conectados, mas não necessariamente dependentes da tecnologia, vivem com ela e
entendem que podem, inclusive, desenvolvê-la. Demoram não mais do que cinco
minutos para descobrir se uma fake news é mesmo fake. Transparência é,
portanto, um valor-chave para eles. Isso quer dizer que, como líderes de
organizações, não temos espaço para adotar um discurso bonito na teoria e que
não acontece na prática. Para eles, mais importante do que “o que” entregamos
como empresas, está o “como” e o “por que” fazemos.
Cresceram com a crise econômica no Brasil e no mundo, em
meio ao terrorismo e desastres ambientais. São, portanto, mais realistas e
críticos. Encontrar uma empresa que compartilhe valores semelhantes aos seus é
importante, mas não suficiente. Esperam reconhecimento. Entendem que as
empresas têm a contribuir valorizando-os financeiramente, mas, além disso,
colaborando para seu desenvolvimento com feedbacks, treinamentos e
oportunidades.
Vêm de ambientes familiares menos convencionais. Têm cada
vez menos irmãos biológicos e mais meios-irmãos e amigos-irmãos. São o grupo
racial e etnicamente mais diverso da História e, por isso, diversidade e
inclusão não é algo a ser discutido, é incondicional. Um estudo recente da consultoria
EY feito em diferentes países mostra que 86% dos jovens considera como critério
decisivo para escolher uma empresa se há ou não igualdade de oportunidades
nela.
No estudo realizado com o Meio & Mensagem, eles apontam
que esperam muito mais do mercado publicitário nesse sentido. Antes de
trabalhar nas agências, 55% deles acreditam que existe diversidade no ambiente
publicitário, mas após ingressarem, esse número cai para 35%.
Independentemente do nível social, os entrevistados destacam
a distância que jovens das universidades têm das agências (ou vice-versa). Não
foi fácil ouvir deles as inúmeras tentativas frustradas de aproximação. Sinal
de que precisamos falar menos e agir mais.
Outro aspecto fundamental, com certeza decorrente dos
contextos tecnológico e familiar: para eles a liderança é plural e não
singular. Diferenciam com exatidão o líder do passado e do futuro, e não perdem
em nada para livros e teóricos que abordam o tema.
Trouxeram como referência de uma liderança passada, a
personagem Miranda Priestly, de O Diabo Veste Prada. Não aceita
questionamentos, mobiliza o time pela autoridade e coloca o “eu” na frente do
“nós”.
E o do futuro? Professor, de La Casa de Papel. Um exemplo
que contempla, na visão deles, características fundamentais, como saber compor
e fazer funcionar um time com diferenças, tem um propósito claro, que emociona
e mobiliza, e expõe suas vulnerabilidades e emoções, abrindo espaço para a
verdade do outro.
Enfim, diante de tudo o que vi e ouvi neste projeto, me
parece que não cabe mais usarmos verbos no tempo futuro dentro das empresas.
Nossas culturas, pela influência destes jovens, já não são mais as mesmas. A
mudança está bem na nossa frente; basta deixarmos de lado nossos pré-conceitos
e antigas verdades, e partirmos para o novo.
Este artigo é de autoria de articulista do HuffPost Brasil e
não representa ideias ou opiniões do veículo.
Texto e imagens reproduzidos do site: huffpostbrasil.com

Nenhum comentário:
Postar um comentário