Ilustração: Caio Borges
Publicado originalmente no site Regina Navarro Blogosfera, em 23/08/2018
Se o ser humano sente prazer com estímulos sexuais, por que
há repressão?
Por Regina Navarro Lins
A repressão sexual é um enigma estranho e paradoxal. Se todo
ser humano sente prazer com estímulos sexuais, por que então, o tempo todo e em
toda parte, sempre existe alguém tentando restringir a liberdade sexual das
pessoas? Uma explicação possível está no fato de que, quanto mais se vai ampliando
e aprofundando a vida sexual, com mais coragem, vontade e decisão se vai
vivendo. Transgredir e contestar as regras impostas pode, portanto, tornar as
pessoas "perigosas".
W. Reich, profundo estudioso da sexualidade humana na
primeira metade do século 20, vai mais longe ainda. Ele afirma que a repressão
sexual da criança torna-a apreensiva, tímida, obediente, "simpática"
e "bem comportada", produzindo indivíduos submissos, com medo da
autoridade.
"O recalcamento — resultado da interiorização da repressão
sexual — enfraquece o 'Eu' porque a pessoa, tendo que constantemente investir
energia para impedir a expressão dos seus desejos sexuais, priva-se de parte de
suas potencialidades", diz ele.
Reich conclui que o objetivo da repressão sexual é o de
fabricar indivíduos para se adaptar à sociedade autoritária, se submetendo a
ela e temendo a liberdade, apesar de todo o sofrimento e humilhação de que são
vítimas. Talvez isso explique por que muitas pessoas preferem tomar tantos
ansiolíticos e antidepressivos ao invés de ousar pensar e viver de forma
diferente.
Não é de admirar, portanto, que tanta gente renuncie à
sexualidade ou que a atividade sexual que se exerce na nossa cultura seja de
tão baixa qualidade. Na maioria das vezes ela é praticada como uma ação
mecânica, rotineira, desprovida de emoção, com o único objetivo de atingir o
orgasmo o mais rápido possível.
Resulta daí ser o desempenho bastante ansioso, podendo levar
a um bloqueio emocional e a vários tipos de disfunção, como impotência,
ejaculação precoce, ausência de desejo e de orgasmo, sem falar nos casos mais
graves de enfermidades psíquicas. É preciso descomplicar o sexo.
Texto e imagem reproduzidos do site: reginanavarro.blogosfera.uol.com.br

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